Artigo – Nova rodada de sanções dos EUA contra gasoduto russo beneficiará ainda mais as exportações brasileiras

Por Oswaldo Bezerra

O governo Trump está se preparando para impor, antes do fim de seu mandato, uma nova rodada de sanções contra o gasoduto Nord Stream 2 e “desferir um golpe fatal” no projeto russo-alemão liderado pela Gazprom. O Congresso dos EUA incluiu a extensão das sanções ao Nord Stream 2 em seus gastos de Defesa para 2021 com referência à lei sobre a proteção da segurança energética na Europa. No entanto, analistas duvidam da eficácia dessas medidas.

Há dez anos a Rússia era um dos países que mais importavam alimentos no mundo. O seu grande fornecedor era a União Europeia. Daí veio o golpe da Ucrânia e a política hostil a Moscow, em seguida a resposta da Russia retomando a Crimeia e ajudando os rebeldes das regiões industriais da Ucrânia na guerra civil ucraniana.

O golpe ucraniano teve clara intenção de cortar o fornecimento de gás russo, que passava por aquele país, e claro, abrir as portas da UE para a venda de gás liquefeito dos EUA. Os americanos conseguiram em parte este feito, mas a Rússia tem driblado os EUA com a construção dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, e o South Stream.

Como resposta, as contramedidas da Rússia o governo norte-americano sancionou o país da Vodka. Também obrigou a União européia a fazer o mesmo. Os países europeus deixaram de comprar produtos russos, mas queriam continuar vendendo.

O comportamento vassalo dos países europeus criou situações ridículas. Por exemplo, empresas da Alemanha ficaram proibidas de fornecer insumos para a indústria de energia eólica na Crimeia. Sem fornecedor, os russos precisaram comprar das únicas empresas que forneciam estes insumos, empresas norte-americanas.

O presidente Vladimir Putin sabia desta dependência russa dos alimentos europeus. Então tentou livrar os russos da dependência de duas maneiras. Primeiro incentivou a produção local. Sua segunda ação foi buscar outros fornecedores.

Os investimentos agrícolas somaram US$ 6,6 bilhões em 2017, segundo dados do governo russo. Boa parte do montante foi gasto em compra de tecnologias. Assim a Rússia passou a importar menos e a exportar mais. A exportação agrícola russa se multiplicou por 16. Há dez anos, a Rússia era a maior importadora de frango do mundo. Conseguiu reduzir a compra em 80%.

A outra resposta da Rússia as sansões e, ao mesmo tempo dependência dos alimentos da União Europeia, foi substituir a Europa pela América Latina como fornecedor. A UE não queria que a América Latina a substituísse no mercado russo. Os 28 países europeus tentaram em vão influenciar os países da região da AL para que não aumentassem as suas exportações para a Federação Russa.

A União Europeia e EUA tentaram pressionar os países latinos americanos. O argumento usado foi que os países latinos estariam arriscando uma relação econômica de longo prazo (com os europeus e norte-americanos) por uma de curto prazo (com os russos).

A Rússia representa um mercado de 140 milhões de consumidores e de bilhões de euros. A União Europeia faturava 5 bilhões de euros com exportações a Rússia.

A exportação da América Latina tem impacto bastante negativo tanto para União Europeia quanto para os EUA. A Espanha até pediu a Bruxelas um fundo de crise para ajudar no impacto que a substituição da UE pela AL trará aos agricultores locais. O governo do Equador afirmou foi um desrespeito a pressão da UE e EUA sobre países da América Latina, ainda mais que o Equador mantém relações comerciais com a Rússia há mias de 50 anos.

O Brasil também foi beneficiado pelas contra sansões russas em oposição aos Estados Unidos e a União Europeia. O maior país do mundo liberou 89 estabelecimentos agroindustriais como exportadores para seus mercados. Só no ano passado, as exportações de carne do Brasil para a Rússia aumentaram em 97%.

RG 15 / O Impacto

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