MP determina que Polícia e CRM-PA apurem denúncia contra Dr. Marcos da Amazônia

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da Promotora de Justiça Evelin Staevie dos Santos, instaurou procedimento ao receber denúncia contra o médico Marcos Nunes Andrade, por possível crime contra a saúde pública.

Dr.“Marcos da Amazônia”, como o profissional se autointitula, ficou famoso nacionalmente por conta das gravações em vídeos massivamente compartilhados no Facebook e grupos de Whatsapp, nos quais fala sobre medicamentos como cloroquina e ivermectina para o tratamento da covid-19. Em um dos vídeos recentes, afirma que seu protocolo tratou mil pacientes, destes, apenas 2 tiveram complicações e morreram.

A 8ª Promotoria de Justiça de Santarém solicitou à Superintência de Polícia Civi que abra inquérito para apurar o possível crime imputado ao médico. O fiscal da lei também determinou que o Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) inicie procedimento com o objetivo de apura o caso.

A denúncia ao MPPA foi realizada por Rui Harayama, que é antropólogo sanitarista, professor do magistério superior, servidor público vinculado ao Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Oeste do Pará. Ele também é membro colaborador do Comitê Nacional do Uso Racional de Medicamentos.

“É mister apontar o cunho pseudocientífico de suas [Dr. Marcos] publicações que incorrem no uso de medicamentos não comprovados científicamente – como a Azitromicina, Ivermectina e Cloroquina – assim como induz o espectador para a automedicação, gerando e agravando risco para saúde pública”, afirma o denunciante.

Para o servidor público federal, Dr. Marcos Nunes deveria responder por crime contra a saúde pública. E tal denúncia visa garantir o direito difuso, uma vez que tal situação não teria resultado em qualquer sanção por parte das autoridades.

“A denúncia, encaminhada para instância de garantia de direito difuso, justifica-se pelo fato dessa comunicação não ser punida pelo Conselho Regional de Medicina, assim como sua tramitação não prever a urgência com que tal discussão precisa ser monitorada nas redes sociais. Informamos que mesmo sendo evidente que o médico atua na divulgação de ‘fakenews’ o seu registro permanece ativo, tendo publicado novo vídeo no dia 02 de Fevereiro (sobre o uso de ivermectina) e no dia 26 de janeiro (sobre a vacinação)”, conclui o denunciante.

A CONTROVÉRSIA

A ivermectina, apontada por Dr. Marcos, é um medicamento barato para uso veterinário e humano, usado contra parasitas, como sarna, oncocercose e piolhos.No entanto, embora um estudo australiano publicado em abril de 2020 tenha observado uma eficácia in vitro (laboratório) da ivermectina contra o vírus SARS-CoV-2, isso não foi demonstrado em humanos. Até o momento, os ensaios foram limitados e com muitos preconceitos.

No início do mês, a farmacêutica Merck, responsável pela fabricação da ivermectina, informou em comunicado que não há dados disponíveis que sustentem a eficácia do medicamento contra a Covid-19.

“Os cientistas da empresa continuam a examinar cuidadosamente as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes de ivermectina para o tratamento de Covid-19 para evidências de eficácia e segurança. É importante observar que, até o momento, nossa análise identificou:

– Nenhuma base científica para um efeito terapêutico potencial contra Covid-19 de estudos pré-clínicos;

– Nenhuma evidência significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com doença Covid-19, e;

– A preocupante falta de dados de segurança na maioria dos estudos.

Não acreditamos que os dados disponíveis suportem a segurança e eficácia da ivermectina além das doses e populações indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora”, comunicou a empresa.

ANVISA SE MANIFESTA

A ivermectina tem sido divulgada por algumas fontes como sendo uma provável terapia para Covid-19, sendo inclusive distribuída em “kits de tratamento”. Diante desta busca pela medicação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se posicionou contra uso rotineiro desta para prevenção e tratamento da doença pelo novo coronavírus, reforçando que o medicamento antiparasitário tem apenas indicação para uso conforme o que consta na bula, como no tratamento de escabiose e piolho.

Na nota, a agência ressaltou que não existem estudos publicados conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, mas que também não existem estudos que refutem esse uso. Além disso, destacou que o uso do medicamento para indicações diferentes das apoiadas em bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor.

PÍLULA DA VEZ

De acordo com a médica Dayanna de Oliveira Quintanilha “a grande dificuldade está em repetir os resultados in vitro em estudos in vivo. Para isso, esbarramos no fato de os dados farmacocinéticos disponíveis para a ivermectina indicarem que as concentrações inibitórias de SARS-CoV-2 praticamente não serem alcançáveis ​​com os regimes de dosagem até agora conhecidos em seres humanos. Sendo assim, para combater o vírus in vivo, precisaríamos de uma overdose de ivermectina, com uma dose 17 vezes maior do que a dose máxima permitida para humanos. Esta overdose poderia gerar consequências, como depressão do sistema nervoso central”, expõe, acrescentando:

“A questão é que, na internet, as informações viralizam. Segundo reportagem de The Guardian, o preprint duvidoso da ivermectina foi rapidamente baixado mais de 15 mil vezes, e os governos do Peru e da Bolívia anunciaram que iriam distribuir ivermectina como tratamento para Covid-19, em maio. Assim, este foi o caminho percorrido pela ivermectina, que antes era um remédio de piolho, demonstrou atividade in vitro contra o Sars-Cov-2, necessitava de overdose para alcançar resultados clinicamente satisfatórios, mas acabou viralizando como a nova ‘pílula mágica’ do Covid-19”.

Dayanna ressalta “Ivermectina demonstrou eficácia in vitro contra o Sars-Cov-2, porém com uma concentração inibitória praticamente não alcançável ​​com os regimes de dosagem até agora conhecidos em seres humanos”.

Por Edmundo Baía Jr.

RG 15 / O Impacto

11 comentários em “MP determina que Polícia e CRM-PA apurem denúncia contra Dr. Marcos da Amazônia

  • 18 de fevereiro de 2021 em 10:32
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    Esse médico é um bandido, tem que ser preso. Uma semana antes de contrair vá Covid pela segunda vez, meu irmão me repassou o vídeo desse criminoso. As pessoas estão tendo hepatite medicamentosa por conta do excesso de remédio que estão tomando! Meu irmão veio a óbito e havia tomado inúmeros desses comprimidos. Cadeia nesse farsante! Que o povo passe a ter noção e não se deixe ludibriar por falsos milagres. Para uma doença nova e com tantas dúvidas precisamos seguir os órgãos oficiais mundiais de saúde

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  • 12 de fevereiro de 2021 em 18:11
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    QUE SERVIÇO ÚTIL PRESTOU À POPULAÇÃO ESSE TAL “ANTROPÓLOGO SANITARISTA”? NO MÁXIMO, CERTAMENTE, MANDOU HIGIENIZAR COCÔS DE DINOSSAURO ! ACHO QUE A UNIVERSIDADE FEDERAL ESTÁ OCIOSA, DANDO TEMPO PRO DESINFORMADO PROFESSOR METER O PITACO ONDE NÃO FOI CHAMADO. O CONHECIDO “JORNAL AMERICANO DE MEDICINA” PUBLICOU UM ARTIGO DEFENDENDO A APLICAÇÃO DESSES MEDICAMENTOS NO COMBATE AO COVID 19, NO DIA SEGUINTE À POSSE DO BIDEN, CERTAMENTE PRA NÃO DAR RAZÃO AO TRUMP, QUE SEMPRE DEFENDEU O USO DA CLOROQUINA E DA IVERMECTINA ! SE INFORME DR HARAYAMA, MAIS RACIONALIDADE E MENOS IDEOLOGIA ! E PARABÉNS AO DR MARCOS, CIDADÃO REALMENTE PREOCUPADO COM A SAÚDE DA POPULAÇÃO !!!

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    • 13 de fevereiro de 2021 em 09:21
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      Eu considero hilário, para não usar algo mais forte, alguém falar que não existe a tal “comprovação científica”.
      Vejamos , esse vírus chinês nem existia a menos de um ano, então como fazer trabalhos científicos para uma doença que existia?
      Depois de ler vários trabalhos bastante sérios, tomei ivermectina , sem nenhum efeito colateral e até hoje ,nada covid.
      Já que não existe cura alguma, quem se sentir confortável, que use.
      E que se parem de encher , quem resolver usar.

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      • 13 de fevereiro de 2021 em 10:22
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        Engraçado como em nosso país a lei se inverte. Enquanto alguns que enganam e matam são tratados como heróis e mocinhos. Por outro lado, aquele que salva vidas, de maneira científica e com larga experiência em conhecimento sobre o que fala, utiliza e recomenda é passível de punição.
        Infelizmente nossos meios de comunicação que deveriam ser parceiros da verdade e da população, não conseguem manter se nesse propósito, muito provável por causa de interesses desconhecidos.
        Muito triste tudo isso.
        O povo perece por falta de conhecimento.

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  • 12 de fevereiro de 2021 em 10:32
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    Se existe denúncia é papel do MP apurar sim, sem qualquer dúvida. Não sou especialista no assunto e nem me cabe afirmar e tentar convencer ninguém e nem defender ninguém. Certamente especialistas que defendem protocolos de tratamento precoce, logo após contrair o vírus irão informar se já existem estudos de vários medicamentos e que centenas ou milhares de médicos adotam diversos protocolos não só no Brasil, mas em todo o mundo, e que este fato vem tendo sucesso tratando pessoas e salvando vidas, certo ? Será que contestar médicos experientes, competentes e éticos vai ajudar em alguma coisa, ou vai impedir momentaneamente que eles continuem os seus trabalhos cumprindo o juramento que fizeram de curar pessoas e de salvar vidas ? Poque ser contra, se todos os dias temos informações de amigos e pessoas conhecidas que se recuperaram com essa ou aquela medicação ? Não é racional e muito menos inteligente, tentar desqualificar, sem conhecer o trabalho e a estatística de resultados positivos. Portanto, não devemos confundir o combate a esta maldita doença com militância política ideológica, o resto não nos interessa neste momento tão difícil para todos. Fica aqui a pergunta, até hoje houve reclamação de algum paciente entre os que foram tratados por este profissional que atendeu com o protocolo adotado por ele ? Que a verdade prevaleça.

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    • 14 de fevereiro de 2021 em 12:10
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      “Estes cientistas” de escritório, estão desconsiderando a prática clínica. Eu prefiro mil vezes um médico com boa prática do que o Phd só de laboratório!
      E outra eles são respaldados pelos respectivo conselho de Clase.

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  • 11 de fevereiro de 2021 em 21:04
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    Verdade. Esse médico já tirou muitas pessoas de apuros, conheço várias. E ele não manda ninguém comprar sem receita…
    Esse cidadão quer audiência…
    Infelizmente!
    Com tantos problemas a serem denunciados, ele quer perseguir quem ajuda pessoas.
    Vai atrás dos políticos corruptos vai! Deixa as pessoas do bem em paz!

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  • 11 de fevereiro de 2021 em 20:03
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    Com certeza esses promotores são todos esquerdopatas, ser o médico afirmar quer curou mais mil pessoas com esse protocolo, o quer há de errado?

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  • 11 de fevereiro de 2021 em 18:00
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    Conversa fiada, pois todas as cidades em que se optou por distribuir a iVERMECTINA OU A CLOROQUINA à população, o número de infectados e de vítimas fatais caiu espantosamente; pra isso basta consultar o efeito positivo da medida implementada em Porto Feliz, SP, Porto União, SC e Cristal ,RS. Atualmente 30 municípios gaúchos já adotaram o mesmo protocolo, com sucessos mui comemorados ! Quem deveria ser processado é quem acusa o Dr Marcos, pessoa realmente preocupada com a saúde seus semelhantes; vergonhosa essa covarde perseguição !!!

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    • 12 de fevereiro de 2021 em 00:10
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      Eu concordo com tudo que foi dito ☝️☝️☝️se não quer ajudar pelo menos não atrapalha; o Dr.Marcos sabe muito bem o que está falando, abaixo de Deus curou um monte de gente com esse protocolo e agora querem prejudicar o médico as pessoas tem uma mania de perseguir gente do bem, que coisa mais triste…

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    • 12 de fevereiro de 2021 em 01:42
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      O engraçado é que o Brasil é o país que mas recupera paciente da covid, e esses vagabundos não se perguntam porque, vacina não é porque agora que começaram a vacinar. Será que esses malditos querem que o povo fique quieto esperando a morte só porque o remédio não é científicamente comprovado? Eu mesmo segui protocolo do dtr.Marcos é me curei desse vírus chinês.

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