Artigo – O grande perigo do comportamento do Brasil como país subalterno

Por Oswaldo Bezerra

A médica Ludhmila Hajjar afirmou que foi uma ingenuidade dela como cidadã brasileira, acreditar em uma mudança de paradigma do presidente. Ela achou a chamada para conversar era porque ele deveria estar interessado em mudar. Contudo, Bolsonaro deu a seguinte reposta a ela, segundo o Poder 360, “se você fizer lockdown no NE vai me foder e perco a eleição”.

Diante da postura do presidente, Ludmila optou por não aceitar ser uma testa de ferro no Ministério da Saúde. Em seguida, a médica teve o seu celular publicado em grupos de WhatsApp e sofreu duas tentativas de invasão em quarto de hotel. É a moderna “Gestapo” em ação. Ela foi vítima de um ataque terrorista que está se tornando comum no Brasil.

O Brasil assumiu de vez a pecha de um país serviçal dos EUA. O quarto ministro da saúde de Bolsonaro, Marcelo Queiroga, pretende levar o comportamento do país a sua gestão. Ele afirmou que continuará o trabalho de Pazuello, ministro este que já havia afirmado que na sua administração o Bolsonaro mandava e ele obedecia.

Uma questão de subordinação de nosso país se tornou destaque internacional hoje. Foi o episódio da submissão do Brasil aos EUA para que não se usasse em nosso país as vacinas russas.

Washington revelou, em uma admissão bombástica, que diplomatas americanos persuadiram ativamente o governo brasileiro a não aprovar uma vacina contra corona (vírus) fabricada na Rússia, como parte de uma campanha para conter a “influência maligna” do país.

O Fundo de Investimento Direto da Rússia (RDIF), que financiou o desenvolvimento da vacina Sputnik V, publicou um trecho que recentemente veio à tona do relatório anual do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos Estados Unidos, responsável por cuidados de saúde e acesso a medicamentos.

O escritório do adido de saúde da OGA, na época de Trump, persuadiu o Brasil a rejeitar a vacina russa para COVID-19. Esta vacina já foi aprovada em 51 países em todo o mundo. A ação dos EUA se revestiu de atos para “promover a confiança e o acesso à vacina”.

O Instituto Gamaleya de Moscou, que trabalhou anteriormente com vacinas contra o Ebola e outras doenças infecciosas, disse que “acreditamos que os países devem trabalhar juntos para salvar vidas. Os esforços para minar as vacinas são antiéticos e estão custando vidas”.

Desde o início da pandemia, há mais de um ano, houve mais de 11 milhões de casos confirmados do vírus no Brasil, e estima-se que 278.000 pessoas tenham perdido suas vidas devido ao Covid-19.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price alertou que, apesar de limitar o número de mortes causadas pelo vírus, o Sputnik V é, na verdade, uma ferramenta perigosa de propaganda para o Kremlin. “É muito claro que a Rússia está fazendo seus velhos truques”, afirmou o porta-voz.

Velhos truques é o que estamos descobrindo agora e não vem da Rússia. Com um número elevadíssimo de mortalidade só uma medida maquiavélica visa evitar a chegada de vacinas. Tudo isso só é possível devido ao posicionamento subserviente do governo brasileiro.

Por sorte, o consórcio de governadores do Nordeste conseguiu garantir 37 milhões de doses da Sputnik V, a única com 100% de eficácia, a partir de abril para todo o Brasil. A informação foi dada pelo presidente do consórcio de governadores do Nordeste, Wellington Dias.

O ex-ministro da Saúde e deputado Alexandre Padilha (PT-SP) afirmou que o ex-presidente Lula contactou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para evitar que o Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF) desistisse de vender a vacina Sputnik V ao governo Jair Bolsonaro.

RG 15 / O Impacto

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