MILTON CORRÊA Ed. 1201

CONFIANÇA DO MICRO E PEQUENO EMPRESÁRIO CRESCE 4,3 PONTOS EM UM ANO, MOSTRA INDICADOR DO SPC BRASIL E CNDL
Em 12 meses, cai de 61% para 46% o percentual de micro e pequenos empresários que veem piora na economia; 62% estão otimistas com empresa no futuro e 49% aguardam alta no faturamento.
O Indicador de Confiança do Micro e Pequeno Empresário medido pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) registrou 54,1 pontos no último mês de maio – um aumento de 4,3 pontos na comparação com o mesmo mês do ano passado (quando estava em 49,8 pontos). Em abril de 2018, o indicador estava em 52,7 pontos. O resultado acima do nível neutro de 50 pontos demonstra o predomínio de uma visão moderadamente otimista desses empresários tanto com a economia do país quanto com seus negócios. “A economia brasileira superou a recessão, mas os sinais de retomada ainda são graduais e não se refletem totalmente no dia a dia dos consumidores e das empresas. Isso faz com que o otimismo fique em um patamar ainda de cautela. Ou seja, a crise já foi mais profunda e a inflação hoje está controlada, mas a atividade econômica segue fraca, com desemprego elevado e juros ainda caros na ponta”, explica o presidente da CNDL, José Cesar da Costa. O Indicador de Confiança do SPC Brasil e da CNDL é baseado nas avaliações dos micro e pequenos empresários sobre as condições gerais da economia brasileira e também sobre o ambiente de negócios nos últimos meses, além das expectativas para os próximos seis meses tanto para a economia quanto para suas empresas.
CAI DE 61% PARA 46% NÚMERO DE MICRO E PEQUENOS EMPRESÁRIOS QUE NOTAM PIORA NA ECONOMIA; VISÃO POSITIVA SOBRE NEGÓCIOS CRESCE DE 15% PARA 26% EM UM ANO
De acordo com o indicador, em 12 meses, diminuiu de 61% para 46% o percentual de micros e pequenos empresários que notam piora no desempenho da economia do país. Os que veem melhora somam 21% dos entrevistados. Essa melhora da percepção fez com que o Indicador de Condições Gerais, que avalia o atual momento da economia, saltasse de 34,5 pontos em maio do ano passado para 42,5 pontos na escala atual. No entanto, mesmo com a melhora, ele segue abaixo do nível neutro do indicador, que é de 50 pontos. Quando a avaliação se restringe aos próprios negócios, a percepção de que as condições da própria empresa estão se deteriorando também diminuiu em um ano. Em maio de 2017, 51% dos micro e pequenos empresários possuíam uma visão negativa a respeito da performance da própria empresa, enquanto em maio de 2018, o percentual caiu para 36% dos entrevistados. No mesmo período, o percentual dos que disseram que melhoraram as condições para o negócio que conduzem passou de 15% no ano passado para 26% em 2018. Já os que sentem estabilidade passou de 34% para 38%.
MELHORA DAS VENDAS É PRINCIPAL MOTIVO ENTRE OS QUE VEEM NEGÓCIOS DE FORMA POSITIVA
Entre os que acreditam que a situação do seu negócio melhorou nos últimos meses, a razão mais apontada foi o aumento das vendas, citado por 49%. Em seguida, aparecem a melhora da gestão da empresa (41%) e a mudança do mix de produtos e serviços ofertados (25%). Em sentido oposto, a queda nas vendas também é o principal motivo daqueles que enxergam uma performance negativa da sua empresa nos últimos seis meses: 80% dão essa justificativa. “Os resultados do varejo tem apontado para a recuperação das vendas, mas nem todos os segmentos sentem o mesmo impacto, até porque o processo de retomada tem sido lento, ocasionado pelo alto nível de desemprego e mercado de trabalho ainda fraco”, analisa a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
45% ESTÃO OTIMISTAS COM ECONOMIA E 62% AGUARDAM BOM DESEMPENHO DA EMPRESA NOS PRÓXIMOS SEIS MESES
A percepção dos micro e pequenos empresários de como serão os próximos seis meses para a economia e para os seus negócios também foi analisada no levantamento e apresentou resultados melhores do que a avaliação do momento atual. Quanto o assunto é o futuro da economia, 45% dos entrevistados se dizem, em algum modo, otimistas para os próximos seis meses, ao passo que 17% acreditam em uma piora na comparação com o quadro atual. Quando a análise se detém apenas ao próprio negócio, o percentual de otimistas é um pouco maior e atinge 62% dos micro e pequenos empresários, enquanto somente 8% acreditam que ela deve piorar. Os dados um pouco mais positivos verificados na última sondagem também fizeram com que o Indicador de Expectativas apresentasse uma leve melhora em maio, passando de 61,3 pontos no mesmo mês do ano passado para os atuais 62,9 pontos em 2018.
49% DOS MICRO E PEQUENOS EMPRESÁRIOS AGUARDAM MELHORA NO FATURAMENTO NOS PRÓXIMOS SEIS MESES
De acordo com o levantamento, 49% dos micro e pequenos empresários que estão otimistas com a economia não sabem explicar a razão desse sentimento positivo, apenas aguardam que coisas boas devem acontecer no país. Outros 30% mencionam a melhora recente de alguns indicadores econômicos e 20% acreditam no potencial do mercado de consumidores no Brasil. Quando são indagados sobre o otimismo com o futuro de seus negócios, a maior parte (40%) aposta na eficiência da boa gestão que conduzem na empresa. Outros 33% disseram estar investindo, o que poderá trazer frutos nos próximos meses. Os que não sabem explicar as razões somam 28% da amostra. O indicador ainda revela que 49% dos micro e pequenos empresários esperam crescimento no faturamento do seu negócio, ao passo que 42% aguardam estabilidade. Apenas 6% desses entrevistados projetam queda nas vendas. Em sentido contrário, as vendas em baixa (55%) e as incertezas políticas (55%) despontam como as principais razões daqueles que seguem pessimistas com o futuro do seu negócio e da economia, respectivamente. “O temor de que o país não acelere o passo na saída da crise é fonte de preocupação dos empresários de menor porque, uma vez que os efeitos do fim da recessão ainda não são sentidos no dia a dia das pessoas de forma unânime. Além disso, a corrida eleitoral traz muitas incertezas no campo dos investimentos, fazendo com que os empresários tenham cautela”, explica José Cesar da Costa.
METODOLOGIA
O Indicador de Confiança do Micro e Pequeno Empresário leva em consideração 800 empreendimentos do setor comércio varejista e serviços, com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100. Baixe a integra do indicador em https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos.
COMÉRCIO FECHA MAIS DE 400 MIL VAGAS E DESEMPREGO ATINGE MAIS DE 13 MILHÕES DE BRASILEIROS
IBGE aponta que a população ocupada teve redução de 969 mil pessoas na comparação com o último trimestre, afetando empregados com carteira assinada. A reportagem é da Agência do Rádio, assinada por Cintia Moreira.
Após melhoras em 2017, a taxa de desocupação voltou a crescer no trimestre de fevereiro a abril de 2018, chegando a 12,9%. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (Pnad), divulgada recentemente, pelo IBGE. O resultado foi puxado pelo corte de vagas no Comércio, que teve diminuição de 439 mil pessoas (-2,5%) na população ocupada em relação ao trimestre encerrado em janeiro. A Pnad aponta ainda que a população ocupada teve redução de 969 mil pessoas (-1,1%) na comparação com o trimestre encerrado em janeiro, sendo a queda mais expressiva entre os empregados com carteira assinada, com a saída de 567 mil trabalhadores (-1,7%) do grupo. O quadro negativo acarretou um aumento na taxa de desocupação, que foi de 12,2% entre novembro e janeiro, para 12,9% no trimestre fechado em abril. Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, os números indicam que 13,4 milhões pessoas estão desempregadas no país. “Nesse trimestre agora, terminado em abril, nós tivemos uma redução de quase um milhão na população ocupada. Consequentemente, essa redução acaba se revertendo em desemprego e, automaticamente, isso vai afetar a taxa de desocupação, que chegou a 12,9%”. O levantamento aponta também que o número de empregados com carteira de trabalho assinada (32,7 milhões) caiu 1,7% frente ao trimestre anterior, uma redução de 567 mil pessoas. De acordo com Cimar Azeredo, o que se gerou de postos de trabalho nos últimos 4 anos foram trabalhos informais, o que não é um ponto positivo para os brasileiros. “O mercado de trabalho brasileiro, embora tivesse apresentado qualquer tipo de recuperação, o que não é o que a gente vê agora, mas no ano passado a gente viu alguns pontos de recuperação de população ocupada, isso não se reflete na carteira de trabalho. O que se gerou de postos de trabalho, de 2014 para cá, foram postos de trabalho voltados para a informalidade, o que é muito ruim para o mercado de trabalho porque isso gera um ciclo vicioso. Informalidade remete à instabilidade”. Segundo o especialista do IBGE, os trabalhos informais também significam frear o consumo, os gastos e, principalmente, frear o crescimento do país. Outro dado apresentado pela Pnad indica que o rendimento médio real habitual, de R$ 2.182, ficou estável de fevereiro a abril deste ano, tanto em relação ao trimestre anterior (R$ 2.185), como em relação aos meses de fevereiro a abril de 2017 (R$ 2.165).

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