Eduardo Fonseca: “Futebol Amador de Santarém está falido”

Eduardo Fonseca alerta Poder Público sobre situação do futebol santareno

Angustiado com a atual crise dos times amadores de Santarém, o advogado e dirigente do Fluminense Atlético Clube, Eduardo Fonseca, em entrevista exclusiva à nossa reportagem, declarou que caso o poder público não tome atitude para ajudar o esporte, brevemente o futebol amador poderá entrar em fase de extinção em nosso Município. Dr. Eduardo destacou a falta de campos de pelada, como o principal problema para a deficiência de surgimento de novos craques em Santarém. Ele falou, ainda, sobre a aprovação na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da Prefeitura de Santarém, recursos na ordem de R$220 mil, para o esporte amador em 2011. Acompanhe a entrevista.
Jornal O Impacto: Com recursos disponíveis no valor de R$ 220 mil no orçamento municipal de 2011 para ser investido no futebol amador de Santarém, como senhor analisa toda essa questão?
Eduardo Fonseca:
A expectativa sempre quando se inicia um novo ano é que as coisas melhorem. Eu espero que aconteça, mas tem uma restrição de que esse dinheiro, que está colocado no orçamento do Município, não quer dizer que a Liga Esportiva de Santarém vá receber todo ele para investir no campeonato amador desse ano. Seria uma ilusão, até porque eles não vão colocar R$ 220 mil para o futebol, pois até corrida de cemitério pode ser considerado esporte amador, assim como jogo de vôlei, atletismo e natação. Tudo isso vai ter verba. Eu não acredito que seja somente para o futebol ou exclusivo para a Liga Esportiva. Não beneficiará só o futebol, porque se fosse assim também teriam ajudado a Academia de Letras, que é um patrimônio do Município, com uma verba para sua manutenção.
Jornal O Impacto: Há alguns anos o futebol amador está sofrendo uma baixa em relação ao profissional. Como o senhor observa esse desequilíbrio?
Eduardo Fonseca:
O campeonato de futebol amador sempre foi uma parte inferior ao profissional. Era o líder em Santarém e também teve momentos áureos no futebol, quando não tínhamos o profissional. Por exemplo, quando o Fluminense foi representar Santarém no intermunicipal e foi vice-campeão. Logo depois, o São Raimundo também foi representar o Município no intermunicipal naquela época, fizeram uma espécie de Seleção Santarena e convidaram jogadores do São Francisco e do Fluminense. Em um ano o Fluminense foi vice-campeão e o São Raimundo foi campeão do intermunicipal, no ano seguinte. Inclusive, com jogadores do Fluminense, como o Bendelack. Isso tudo foi porque não tinha outra opção, onde não tínhamos concorrência com a televisão, com praias de fácil acesso e com estradas.
Jornal O Impacto: Os canais de esporte 24 horas também estão contribuindo para o fracasso do futebol amador em Santarém?
Eduardo Fonseca:
Hoje, temos os canais de esporte e, se a pessoa não quiser sair de casa, assiste várias modalidades esportivas com 24 horas de programação. Aí perdeu o apoio também do poder público, porque depois do prefeito Adelerme Cavalcante, não teve outro gestor que ajudasse o futebol amador santareno.
Jornal O Impacto: Recentemente o futebol profissional de Santarém teve uma alta quando o São Raimundo atingiu um grande patamar a nível nacional, mas que no ano passado não conseguiu se manter no topo. Essa baixa se deve a falta de profissionalismo dos jogadores ou dos dirigentes?
Eduardo Fonseca:
Eu só abordo o futebol amador desde que me entendi como gente. Todos os domingos meu pai me levava com uma bola para o campo, para jogar futebol. O que deveríamos ter na questão da falta do surgimento de jogadores profissionais em Santarém, é que não temos mais os campos de pelada. Acabaram com vários campos que tinham nas praias, como a Vera Paz, Coroa de Areia e o que tinha em frente onde hoje fica a Feira do Peixe. Até os campos do Trapichão, da Tecejuta e os dos clubes pequenos de bairros, acabaram também. A expansão imobiliária acabou com os campos, como o Mangueirão, o Morango, Veterano e o local de treinamento do Fluminense, onde hoje fica o estádio Colosso do Tapajós. Atualmente, temos apenas o campo do DER, que a Associação do Bairro da Prainha está segurando, porque já tem gente de olho para desfazer aquela praça de esportes e eles sabem disso. Estamos perdendo o lugar onde os jovens cresciam no futebol e, que hoje, inventaram esse negócio de escolhinha ou arena e, quando chega na época do campeonato profissional, as diretorias dos times mandam buscar os jogadores de fora, porque daqui da terra não existem mais.
Jornal O Impacto: Santarém e Belterra já formaram grandes craques para times, como São Francisco, São Raimundo, Remo, Paysandú e até mesmo clubes do eixo Rio-São Paulo. A falta de campo nessas cidades ocasionou o não surgimento de novos craques?
Eduardo Fonseca:
Tranqüilo. Hoje, o garoto que fugia de casa para jogar bola na rua ou na frente de sua residência não tem mais como fazer isso, porque a cidade cresceu e os campos acabaram, como o do Batista, do Palestra, de Nossa Senhora das Graças e do Poeirão, onde as pessoas tinham um lugar especifico para jogar futebol, mas que todos foram extintos. Naquela época, quando não tinha muita atração na cidade, a opção de lazer era bola e praia. Jogávamos bola para depois ir para a praia pular no rio Tapajós, que atualmente está poluído, uma imundície e, que ninguém vai mais lá. Quando a água baixa, não tem mais uma praia boa para se praticar o esporte, não sendo mais como antigamente quando toda a frente da cidade tinha campo de futebol.
Jornal O Impacto: De que parte falta incentivo, do pode público ou da Liga Esportiva?
Eduardo Fonseca:
A Liga Esportiva de Santarém é uma entidade pobre. Hoje, administrar a Liga Esportiva é ficar à frente da pobreza, porque a maioria dos clubes não tem dinheiro para disputar um campeonato, eles fazem com maior sacrifício. Para disputar um campeonato, os times necessitam fazer bingos e feijoada e a Liga por sua vez vai administrar o quê? Porque os clubes que deveriam manter a Liga não têm como fazer isso. Se não tivermos apoio do poder público, o futebol amador de Santarém tende a se acabar, porque as empresas atualmente investem nos times de seus funcionários, em confraternizações de final de ano e depois acaba. O futebol amador do Município de Santarém está falido.
Por: Manoel Cardoso

Um comentário em “Eduardo Fonseca: “Futebol Amador de Santarém está falido”

  • 5 de junho de 2014 em 08:50
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    NUNCA VI FUTEBOL AQUI NÃO? ISSO QUE TEM AQUI É FUTEBOL? MEU DEUS DO CÉU, IMAGINA QUEM JÁ JOGOU FUTEBOL E VER UNS PERNAS DE PAU JOGANDO BOLA! É TÃO FRACO O PARÁ QUE NEM SEDE DA COPA FOI ESCOLHIDO!

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  • 2 de agosto de 2012 em 18:06
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    na minha opinião, Dr. Eduardo, que nasceu neste futebol, quando o seu Pai Elvio fonseca era presidente do Fluminense, e que até hoje está ai levando o nome deste clube.
    quero até dizer a este meu primo que chama Eduardo, queria saber o E-mail dele para pode trocar umas ideas e trocar informações.

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  • 1 de junho de 2012 em 02:36
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    eu acho que o futebol santareno tem que passar por uma evolucao profissional, tem muita gente pra ajudar,mais tem um milhao pra derrubar.

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  • 8 de janeiro de 2011 em 08:19
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    Professor. Por que o senhor não sugere um plano de desenvolvimento para a liga de santarém. A união é importante, tem que deixar o orgulho de lado, o senhor possui competencia para orientar e tenho certeza que sua colaboração é importante. Amor ao time prejudica o futebol, vamos lutar pelo futebol santareno. Precisamos do senhor na liga.

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  • 7 de janeiro de 2011 em 14:13
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    Dr.Eduardo, concordo com o senhor. O senhor deveria ser o presidente da liga para desenvolver nosso futebol, ajude doutor.

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  • 6 de janeiro de 2011 em 18:23
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    O professor tem razão e conhece o futebol santareno. Ele que deveria ser o presidente da liga.Se ele tivesse a frente do nosso futebol era diferente. Pois sabia como conseguir patrocinio e disciplinar os clubes para o sucesso.

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