Hepatite A é a que mais ataca no Pará‏

Sintomas da Hepatite A

De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados no “Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2011”, a hepatite A é forma mais predominante da doença no Pará com 7,3 notificações a cada 100 mil habitantes. O número está acima da média nacional de 5,6 casos distribuídos entre a amostra populacional do país. Consultora para hepatites da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Deborah Crespo coordenou em âmbito local um dos estudos feitos pelo Ministério da Saúde a respeito do vírus e explica que ao menos 60% da população na fase adulta da região Norte contraiu ou ainda sofre com a hepatite A. “Foi o percentual mais alto do país, embora não tenha ocorrido disparidades entre as taxas de outras regiões brasileiras. O tipo de hepatite é a mais comum no Estado e em Belém, por causa da falta de saneamento, o que leva as pessoas a estarem mais suscetíveis ao contato com a água contaminada”, destaca.

A vacina contra a hepatite A não é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Muitas pessoas nem sabem que desenvolveram a doença em algum momento da vida. “É muito comum que a hepatite A seja tratada como uma virose. Ela desaparece em 100% e não pode se tornar crônica, como as outras. Só é possível detectar a presença do vírus com exame de sangue”, enfatiza Crespo. As hepatites B e C são consideradas as mais graves por atacarem o fígado, um órgão vital, e facilitarem o aparecimento de câncer. O tipo B da doença é contraído predominantemente por relação sexual. No Pará, foram notificados em 2010, 2,3 casos a cada 100 mil habitantes.

O teste para as duas hepatites e ainda para as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) podem ser feitos em Belém, no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), na travessa Padre Eutiquío, 555, em frente à Praça da Bandeira. As vacinas contra a hepatite B são oferecidas gratuitamente pelo SUS para pessoas até 19 anos e ainda para grupos considerados de risco – prostitutas, profissionais de saúde, doadores de sangue, recém-nascidos, bombeiros, policiais, manicures e homens homossexuais.

A região Norte também lidera os casos de hepatite C no país, com a presença de anticorpos da doença em cerca de 2% da população entre 20 e 69 anos. “O percentual é expressivo, mas a quantidade de pessoas que têm a doença pode ser bem maior do que a projeção nos revela. No caso dos dados do Boletim Epidemiológico, a estatística é feita por notificações ao Ministério, o que dificulta a precisão das informações expostas”, ressalta Deborah. “A presença das hepatites entre a população tem impacto direto no sistema de transplantes do país. Parte dos pacientes que esperam por um fígado desenvolveu cirrose hepática, proporcionada pela transmissão do vírus”, ressalta a especialista.

LUTA

A hepatite C, transmitida por contato com o sangue infectado, é a que menos ataca no Pará. Foram registrados no ano passado 0,6 casos a cada 100 mil habitantes, mas os especialistas afirmam que há subnotificação e que o número de casos pode ser bem maior que os índices registrados. Quem vê o sorriso estampado no rosto da empresária Gabriela Piedade, de 36 anos, não imagina que ela sofre de hepatite C há 13 anos. Após um transplante de fígado, ela luta pela segunda vez contra a doença, que pode se tornar crônica e até levar à morte.

Gabriela Piedade contraiu hepatite C no dia em que nasceu. Prematura e pesando somente 1,5 kg, a transfusão de sangue que salvaria sua vida quase foi responsável pela sua morte. O sangue estava contaminado. Ela descobriu ter a doença 23 anos mais tarde, quando começou a sentir mal-estar súbito. “Depois, fiquei 2 anos na fila de transplante. Os médico disseram que eu só teria 3 meses de vida. Neste meio tempo, fiz a cirurgia no Rio Grande do Sul (RS)”, conta a empresária.

Quando estava em tratamento contra a hepatite C pela primeira vez, ela foi vítima de preconceito. “Meus colegas de faculdade fizeram um abaixo-assinado para me expulsar da turma. Alegaram que o ambiente fechado da sala de aula favorecia a transmissão da doença, o que é uma ignorância”, ela diz. “Hepatite não se transmite pelo contato físico e muito menos pelo ar”, ensina a moça, que em 13 anos aprendeu quase tudo sobre a doença.

No final do ano passado, ao fazer uma biópsia, descobriu que o vírus tornou a aparecer no organismo. “Passei um mês inteiro chorando. Mas depois, percebi que tinha duas opções. Fazia o tratamento novamente ou não fazia. Eu escolhi viver. Viver feliz”, ela complementa. Antes de terminar de falar sobre os dias de sofrimento, o rosto de Gabriela volta ao normal – com um largo sorriso.

Por: Luciana Gouveia

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