CADÁVER – Opinião sem spoilers

CADÁVER

(The Possession of Hannah Grace)

Por Allan Patrick

Os filmes que falam sobre possessão demoníaca sempre permearam no imaginário dos amantes do cinema, mas dificilmente as produções conseguem obter um bom êxito quando tentam relatar uma história sobre o tema. Logo depois da produção de 1973 “O Exorcista” que inclusive me roubou inúmeras noites de sono quando criança, na época ganhou dois Oscar’s, o de melhor roteiro adaptado e de mixagem de som, ao longo do tempo tivemos muitos filmes que tentaram repetir o estrondoso sucesso e crítica do clássico, mas falharam,  com algumas raras exceções como o ótimo “O Exorcismo de Emily Rose”(2005) .
Agora chega aos cinemas mais um filme sobre o tema, apresentado de uma forma nunca vista antes, aqui descobrimos o que acontece depois que um exocismo é finalizado sem sucesso. Gente, o que falar da cena inicial do filme, trata-se de cenas brutais e impressionantes, tudo é apresentado de uma forma assustadora que consegue sufocar qualquer um ao ver o sofrimento de uma jovem, Hannah Grace, do título norte americano, se contorcendo toda, e os ossos do seu corpo quebrando lentamente “cruzesss!” enquanto o seu pai e dois padres tentam tirar a força maligna que toma conta da jovem. É uma cena muito bem conduzida pelo diretor holandês Diederik Van Rooijen, que nos deixa na ponta da cadeira, gerando uma grande expectativa para um filme aterrorizante. Porém, o que vem depois cai nos clichês que vimos diversas vezes em outras produções, só que aqui temos um drama melancólico.
Três meses após os acontecimentos da cena inicial, conhecemos Megan Reed (Shay Mitchell), uma jovem que passou por um estresse pós-traumático e deixou a vida de policial para trabalhar em um necrotério na madrugada. Acredito que nenhum psicólogo em sã consciência permitiria tal trabalho para uma pessoa se recuperando de um trauma, mas a trama não foca nos dramas da protagonista.
Em sua primeira noite de trabalho, ela recebe um cadáver desfigurado no necrotério. Trancada sozinha dentro dos corredores do porão, Megan começa a ter visões horríveis e a suspeitar que o corpo pode ter sido possuído por uma força maligna. Acredito que um dos maiores problemas do filme está em sua protagonista, uma garota apática que dificilmente gera empatia com o público. Apesar da boa atuação da Shay Mitchell, de “Pretty Little Liars”, o roteiro não dá muita liberdade para a atriz se destacar, com uma subtrama desinteressante sobre o vício da personagem em remédios controlados e seus problemas com o ex-namorado.
Agora o ponto alto do filme são os diversos jumpscares, aqueles sustos fáceis que fazem a plateia pular, usando o cadáver da jovem exorcizada para tocar o terror no público, gente, que cenas aterrorizantes, até a Samara de “O Chamado” não ousaria se contorcer daquele jeito… kkk. Nesse quesito o filme é bastante eficaz, e gera bons sustos usando o sufocante ambiente do necrotério, que por si só, é bastante aterrorizante e claustrofóbico. “Cadáver” tem um começo muito assustador, mas cai alguns degraus ao desenrolar da história. Com apenas 85 minutos de duração, parece durar muito mais tempo, devido roteiro escrito por Brian Sieve que nunca decide se o filme será um drama ou um terror, patinando entre os dois gêneros.
“Cadáver” surpreendeu em sua estreia nos EUA. Os cálculos iniciais indicavam que o longa arrecadaria apenas US$ 2.5 milhões em seu primeiro final de semana, mas o terror surpreendeu com US$ 6.5 milhões. Apesar de ser um valor baixo, é preciso levar em consideração que o filme possui um orçamento menor que US$ 10 milhões, valor já recuperado com a ajuda do mercado internacional, que ajudou a alavancar os números em US$ 4.1 milhões. Ao total, “Cadáver” estreou com US$ 10.6 milhões mundialmente, o que é um bom começo.
Meus amigos, gostei do filme, me assustei diversas vezes, se você se interessou, desligue o cérebro e vá se divertir com os amigos levando bons sustos, “Cadáver” pode ser uma boa escolha. Mas se preferir um filme realmente assustador, é melhor procurar alguns clássicos do gênero. Minha nota: 6,5!

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