“A Covid não acabou. Ainda tem muita gente lutando pela vida”, diz filho que perdeu a mãe por falta de UTI em Santarém

Devido à negligência e falta de informações, Irleson Roger Cardoso Ferreira, teve de procurar o Ministério Público para tentar obter informações sobre o estado de saúde de sua mãe, Rosimar Cardoso, internada no Hospital de Campanha de Santarém, e que precisava de transferência para um leito de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

“Minha mãe está com 23 dias internada no Hospital de Campanha, a gente questiona o porquê eles não realizaram a transferência o quanto antes, uma vez que a situação da mamãe era uma situação difícil. Então, estou aqui no Ministério Público para solicitar uma vaga de UTI em Santarém, pois a única transferência que eles colocaram para gente foi para Itaituba. O médico só faltou falar para mim, que se eu deixasse a mamãe lá, e não assinasse a transferência dela para Itaituba, ela iria morrer. Foi quando eu assinei. Só que estamos aqui no MP, para que consigam uma vaga para ela no Hospital Regional de Santarém, porque a covid não acabou. Ainda tem muita gente que está lutando, que está em estado de emergência, e parece que aqui em Santarém, o Poder Público, os nossos representantes, e como se tivessem calados, e que agindo como se covid já tivesse acabado. Mas infelizmente a mamãe está precisando de UTI no regional e não tem”, desabafou Roger.

Ele relatou à Tv Impacto, os momentos de angústia que tem vivido em grande parte pela falta de informações a cerca do estado de saúde de sua genitora. Segundo Roger, disseram que consta no prontuário, que na sexta-feira passada, teria tido contato com sua mãe, “mais isso não aconteceu”, afirma.

“Na segunda-feira [dia 21 de setembro], recebi uma mensagem dizendo que a mamãe tinha ido a óbito. Essa informação veio de dentro do Hospital de Campanha. Eu queria colocar que estão saindo informações de forma incorreta, é até angustiante para mim, saber da boca de outras pessoas, que estão lá dentro, que minha mãe havia falecido, sem saber se de fato era isso que havia acontecido”.

Sem uma fonte oficial de informação, os familiares dos pacientes internados na unidade hospitalar passam por dificuldades para serem atualizados com o quadro clínico dos doentes.

“A gente está em uma situação muito complicada, muito complicada mesmo, e só sabe quanto, quem passa. E para receber uma notícia dessa, sem ser dos profissionais de saúde de lá, é bastante complicado. A gente precisa de respostas, a minha mãe está precisando de um leito de UTI no Hospital Regional. Se fosse com alguém que tivesse mais poder, que tivesse mais dinheiro, eu tenho certeza que eles já, há muito tempo, tinham dado um jeito no leito de UTI no Hospital Regional”, diz indignado.

A família de Roger mora na Região do Rio Arapiuns. Uma ambulancha foi buscar a sua mãe. Ele faz denúncia grave quanto ao atendimento prestado.

“Além de tudo, quando a ambulancha foi buscar a mamãe, foi uma dificuldade muito grande, porque ela estava como muita falta de ar, não conseguia respirar. E a médica que foi acompanhando era super grossa, não levou nenhum tipo de medicamento. Para dizer que ela não fez nada, ela só perguntou o nome e a idade da mamãe. Depois da lancha chegar em Santarém, esperamos praticamente uma hora o carro, para poder levar a mamãe para UPA 24h”.

NÃO RESISTIU: Roger procurou o MP na manhã de quarta-feira (23), quando gravou entrevista à Tv Impacto. No dia seguinte, nossa reportagem foi informada que a mãe dele, infelizmente, havia evoluído a óbito. Com rins paralisados há três dias, ela precisaria realizar hemodiálise, assistência somente oferecida em um leito de UTI.

OUTROS CASOS: O caso da mãe de Roger, pode não ter sido o único, nem o primeiro, tão pouco o último. Outros pacientes encontram-se na mesma situação, em um leito de estabilização, à espera de uma UTI. Em um desses casos, o paciente Manuel Vieira Rodrigues estaria internado desde o dia 13 de setembro na UPA 24h. Segundos os familiares, os profissionais de saúde, todos os dias prometem transferência, e nada acontece. O paciente está em estado grave, com o pulmão bastante comprometido e também com infecção no rim, precisando de equipamentos médicos adequados para continuar lutando pela vida.

RG 15 / O Impacto

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