Artigo – O contrassenso do Brasil ao não incorporar a Sputnik V no seu programa de vacinação

Artigo: Por Oswaldo Bezerra

Tudo mundo viu. Foi com muita polêmica e má vontade que o Governo Federal, finalmente, no dia 17 de janeiro, através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da vacina CoronaVac e o da Universidade de Oxford/AstraZeneca. Mesmo assim, o número de doses não é suficiente nem para vacinar os grupos prioritários.

Por isso, ainda é muito cedo para falar em uma verdadeira campanha nacional de vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Hoje estão disponíveis 12,8 milhões de doses dos medicamentos aprovados. As vacinas são suficientes para vacinar pouco mais de seis milhões de pessoas apenas.

A forma mais inteligente para o Brasil ter um plano de vacinação abrangente, e no tempo adequado, é incorporar, como medida emergencial, todas as vacinas aprovadas no exterior.

O Brasil precisa vacinar pelo menos os 80 milhões de cidadãos que estão no grupo de idosos, profissionais de saúde e educação, cidadãos com doenças crônicas, indígenas, quilombolas e profissionais de serviços essenciais. Isso só será possível se tivermos todas as vacinas e não apenas as vacinas que já estão autorizadas no Brasil.

O Brasil deveria permitir o uso emergencial de vacinas produzidas e aprovadas em outros países, incluindo a vacina russa, a Sputnik V. É um verdadeiro contrassenso que o Brasil não tenha incorporado o Sputnik V ao seu programa de vacinação até agora.

Com o atual plano de vacinação lento e insuficiente, organizado pelo Governo Federal, as prefeituras estão buscando meios de importar por conta própria outras vacinas para o país. No dia 15 de janeiro, o Governo do Estado da Bahia apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil um requerimento para a compra direta da vacina Sputnik V.

O estado nordestino solicitou autorização para administrar medicamentos autorizados por órgãos estrangeiros, sem a necessidade de anuência da “aparelhada” Anvisa. A ação não visou minar a autoridade do órgão federal, mas simplesmente adequar a homologação a uma situação excepcional.

Uma cooperação internacional é fundamental na área da Saúde nos momentos atuais. Nosso país sempre foi muito respeitado neste quesito. A atuação do Governo Federal em relação à área da Saúde é temerosa. O atual presidente, Jair Bolsonaro, rompeu relações com países com os quais sempre mantivemos boas relações, o que deixa o Brasil em uma situação muito isolada.

No ano passado, o presidente desprezou a vacina Sputnik V. Ele também desprezou a vacina da Pfizer, desprezou associações e criou obstáculos para a cooperação do Instituto Butantan com a China.

Garantir que o Governo Federal realize uma ampla campanha de vacinação exigirá uma luta social, política e institucional. Só no dia 20 de janeiro, o Governo Federal deu início à campanha de vacinação contra o COVID-19, após a Anvisa aprovar o uso emergencial da CoronaVac, produzida com a colaboração do laboratório chinês Sinovac e do Instituto Butantan, em São Paulo, e a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e AstraZeneca.

O laboratório brasileiro “União Química” pretende produzir imediatamente 10 milhões de vacinas Sputnik V em território brasileiro. Toda esta vacina será para uso na Argentina, Bolívia e México. No entanto, o presidente do Fundo Russo de Fornecimento Direto comunicou que poderia fornecer ao Brasil 150 milhões de doses da Sputnik V este ano.

Segundo as estimativas, o número de vacinados no Brasil hoje está entre 600 mil pessoas. A população estimada do país é de mais de 212 milhões de habitantes.

RG 15 / O Impacto

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